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	<title>Valores humanos</title>
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		<title>A árvore que falava</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 15:56:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lerp</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Determinação Sempre que se tem um objectivo a alcançar, deve-se ter também a força de vontade necessária para se levar a cabo o que é pretendido. A tentação de desistir é grande, sobretudo quando os obstáculos começam a surgir. Mas estes também têm a sua utilidade, porque ajudam a crescer interiormente.     A árvore [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=25&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;"><span style="color:#702846;">Determinação</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><strong></strong><br />
<span style="color:#702846;">Sempre que se tem um objectivo a alcançar, deve-se ter também a força de vontade necessária para se levar a cabo o que é pretendido. A tentação de desistir é grande, sobretudo quando os obstáculos começam a surgir. Mas estes também têm a sua utilidade, porque ajudam a crescer interiormente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p> </p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#003300;">A árvore que falava</span></strong></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Longe, muito longe… bem no coração da savana, vivia uma árvore maior e mais velha do que qualquer outra.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Abrigava, sob a sua corcha, toda a sabedoria de África.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">A seus pés, por entre as altas ervas, a leoa espiava o antílope ou a zebra que se tinham afastado do grupo. Como era a única árvore das redondezas, os pássaros, que se empoleiravam nos ramos mais altos, conheciam-na bem. Também as girafas, que comiam as folhas dos ramos do meio, a conheciam. E os leões, que se estendiam sob os ramos baixos para fazerem a sesta…</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">E assim a árvore conhecia todos os segredos dos pássaros, dos leões, das girafas, das zebras e de muitos outros animais. É que ela escutava com todas as suas folhas.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Até os homens vinham sentar-se debaixo dela no momento das grandes decisões, discutindo os assuntos sérios à sombra dos seus ramos.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">A árvore sabia mais sobre o povo dos homens do que o mais velho dos anciãos e o mais sábio dos sábios. Porque ela sabia calar-se, enquanto eles gostavam de falar.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Mas a árvore não guardava para si o seu saber: àqueles que tinham os ouvidos atentos, ela murmurava, em confidência, a resposta a muitas questões.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Quando os seus filhotes estavam suficientemente grandes para voar, as andorinhas, as cotovias e os estorninhos tinham por hábito levá-los até à árvore. Ao cair da noite, esta enchia-se de chilreios. Passado algum tempo, com três bicadas, os pais faziam calar os mais palradores. E cada um escutava o murmúrio que subia da raiz mais profunda até ao raminho mais alto.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">No dia seguinte, os jovens sabiam um pouco mais da arte de voar em ziguezague para enganar as aves de rapina que mergulham sobre as presas. E a águia ou o milhafre regressavam às montanhas de mãos a abanar, perguntando-se por que milagre todos os passarinhos daquele canto da savana se tinham tornado, de repente, tão espertos!</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">E cada girafinha que partia a mascar um punhado de folhas da árvore ficava a saber um pouco melhor como evitar a leoa que caçava. E, misteriosamente, cada leãozinho, depois da sesta ao pé da árvore, desconfiava um pouco mais do riso da hiena que rondava à procura de uma presa fácil.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Mas os homens, esses, partiam tão sisudos e estúpidos como tinham vindo, e a sua tagarelice nada lhes tinha ensinado porque não sabiam escutar.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Eram orgulhosos e arrogantes. Incendiavam a savana com os seus fogos e matavam mais animais do que aqueles que precisavam para se alimentar. Matavam-se até uns aos outros. E chamavam a isso «a guerra». A árvore falava-lhes, como a todos, mas os homens não a escutavam. Por causa deles, a árvore ficou triste. Pela primeira vez, sentiu-se velha e cansada. Se pudesse, ter-se-ia deitado para esquecer. Mas quando se é uma árvore, é preciso ficar de pé a recordar…</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Foi então que as suas folhas amareleceram e secaram e, em breve, ficou nua no meio da savana. Os pássaros começaram a desdenhar dos seus ramos e os leões e as girafas também, porque ela deixou de lhes falar.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">E todos diziam que ela estava morta.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003300;">* * *</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Por muito tempo a árvore seca ficou de pé. E parecia que nada viria alguma vez a mudar… O milhafre da montanha estava contente e as hienas riam-se. A leoa perdeu um leãozinho, a girafa uma girafinha e a andorinha, três passarinhos que mal sabiam voar.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Mas, uma manhã, veio um pequeno homem com um ar decidido. Tinha o olhar de uma criança, e esse olhar não reflectia nem fogo nem sangue. As suas mãos não agarravam nem arco nem zagaia. Contudo, era um homem.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Parou ao pé da árvore seca, estendeu os braços e, com as pontas dos dedos, tocou no tronco, muito devagar, ao de leve, como se acordasse alguém que dorme. A corcha estremeceu. E a voz do pequeno homem subiu ao longo da árvore, terna como um cântico muito antigo. O homem falava à árvore, cheio de simplicidade. Depois, calou-se. E encostando a orelha ao tronco, escutou. O vento nos ramos parecia formar palavras e frases. E quanto mais a árvore falava, mais a expressão do homem se iluminava.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Quando a árvore terminou, o homem partiu. Quando voltou, trazia um machado aos ombros. Uma vez perto da árvore, levantou a cabeça em direcção aos ramos e murmurou algumas palavras em tom de desculpa. Depois, firme nas suas pernas, com o cabo do machado bem preso nas mãos, começou a cortar o tronco.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">E a madeira ressoou na savana, até aos limites do deserto e das montanhas.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Cada pássaro, cada leão e cada girafa reconheceram a voz da velha árvore.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Todos acorreram para junto dela, mas apenas encontraram um cepo e algumas aparas espalhadas pelo solo.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">É que o pequeno homem, ajudado por alguns da sua aldeia, tinha levado a árvore até casa. E, com medo dos homens, os animais não se atreveram a segui-lo.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Uma vez chegados à aldeia, o homem pôs-se a trabalhar. Tinha uma grande ideia: para que a voz de madeira da velha sábia percorresse de novo a savana, iria fazer um tantã.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Um tantã mais sonoro e maior do que qualquer outro. Suficientemente longo para que todos os homens da tribo pudessem tocar em conjunto.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Quando o homem pegava de novo no machado para podar os ramos e deixar, assim, o tronco livre, aqueles que tinham carregado a árvore com ele fizeram-lhe sinal que parasse:</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Pequeno homem, nós ajudámos-te — disseram os homens fortes com as suas vozes grossas. — O nosso trabalho deve ser pago.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Mas… com que é que vos vou pagar? Eu não tenho nada, bem sabem!</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Deixa-te disso! — insistiram os homens fortes. — Trouxemos a tua árvore, dá-nos a nossa parte.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Não pode ser — protestou o homem. — É preciso que o tronco fique inteiro para o tantã. Se não, como é que a tribo poderá tocar?</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Os homens obstinavam-se a reclamar a sua parte da madeira e o assunto foi levado ao Conselho dos Anciãos.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003300;">* * *</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Era uma assembleia de homens muito velhos e muito tagarelas. Sempre prontos a pronunciar uma sentença ou um julgamento, tanto a propósito do que conheciam como do que ignoravam. Nada lhes agradava mais do que reunirem-se quando lhes pediam um conselho, e também quando não lhos pediam! Ora, o Conselho tinha por hábito reunir-se debaixo da grande árvore, e os velhos sentiam-se desamparados… pois a árvore tinha sido cortada! O mais velho dos Anciãos, um pequeno velhinho com a face enrugada como uma ameixa seca, agitou o cachimbo por cima da cabeça e tomou a palavra:</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— O Conselho não se pode reunir por falta de um lugar adequado.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">E expeliu uma baforada do seu cachimbo.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Os outros membros do Conselho, sentados em círculo, aprovaram com um movimento de cabeça, expeliram, cada um, uma baforada do seu cachimbo e guardaram silêncio.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Os homens fortes, que queriam a sua parte da árvore, e o pequeno homem, que nada queria, não sabiam o que fazer.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Impaciente por começar o trabalho, o homem avançou para dentro do círculo, curvou-se respeitosamente diante do mais velho dos Anciãos:</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Digam-me apenas se posso começar o meu trabalho, já que estais aqui reunidos.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— É verdade que estamos aqui — respondeu o Ancião. — Mas o Conselho não está reunido. Por isso, não pode dar a sua opinião.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Expeliu uma outra baforada e calou-se.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Os homens fortes, impacientes por levar a madeira que lhes cabia, inclinaram-se, por sua vez, diante dos Anciãos e disseram:</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Digam-nos apenas se podemos pegar na nossa parte.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">O Ancião nem se deu ao trabalho de responder. Limitou-se a expelir uma baforada do cachimbo e permaneceu em silêncio.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Mas o mais forte, que também era o mais impaciente, deu um passo em frente.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">De imediato, o velho homem largou o cachimbo e, com uma voz trémula, acrescentou precipitadamente:</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— O Conselho vai reunir… para decidir onde terá lugar o próximo Conselho.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">O discurso enfadonho que se seguiu poderia ter durado até ao final dos tempos, se o Conselho não tivesse acabado por decidir… que decidiria mais tarde!</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">De seguida, os velhos aconselharam o pequeno homem a dar aos homens fortes o que eles pediam. Depois, reclamaram, por sua vez, um pedaço da árvore como recompensa pelo sábio conselho. E o pequeno homem assim o fez, porque era costume dar uma prenda aos Anciãos, como agradecimento pelos seus conselhos.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">E cada um se apressou a serrar, a rachar e a atar.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">E o pedaço de árvore não tardou a transformar-se em achas, toros e feixes para queimar. Os homens acendiam fogueiras à volta da aldeia para manter afastados os animais selvagens. Ignoravam que os animais tinham ainda mais medo deles do que das suas fogueiras.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003300;">* * *</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Um pouco desiludido, o pequeno homem reparou na diminuição do tronco, mas disse para si mesmo que, apesar de tudo, ainda chegava para fazer um bom tambor para a tribo.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Lançou-se ao trabalho, cheio de coragem. O machado, no entanto, não era muito adequado para o descortiçamento, por isso decidiu ir a casa de um vizinho pedir emprestado um podão, cuja lâmina curvada faria melhor o serviço. Como era hábito, o vizinho estava a fazer a sesta e o pequeno homem acordou-o para lhe fazer o pedido.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Ah! És tu? — disse o vizinho, bocejando como um hipopótamo. — O que queres de mim?</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Podias emprestar-me o teu podão? — perguntou muito educadamente o pequeno homem.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Eh! — respondeu o vizinho, tão amável quanto um crocodilo a quem interromperam a digestão. — Não me deixas dormir com esse barulho todo… E ainda por cima queres que te empreste o meu podão! E se eu precisar dele?</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Mas… é só por um dia! Amanhã já terei acabado!</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— O que me dás em troca?</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Sabes bem que não tenho nada de meu.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Ah não? E essa árvore? É tua, não é?</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Sim, mas… — começou o pequeno homem.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Pois bem, dá-me um pedaço para alimentar a minha fogueira e emprestar-te-ei o meu podão.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Assim se fez, já que mais ninguém na aldeia tinha a ferramenta de que o pequeno homem precisava.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Um pouco desiludido, atentou no tronco, agora mais pequeno. No entanto, havia ainda madeira para fazer um tantã para a tribo.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Lançou-se ao trabalho, cheio de coragem. E o descortiçamento depressa terminou.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Mas, quando quis cavar o tronco, apercebeu-se de que não tinha cinzel para o fazer.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">De certeza que o vizinho tinha um, mas será que lho emprestaria sem reclamar mais um pedaço da árvore?</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Infelizmente, mais ninguém da aldeia tinha cinzel. E era preciso acordar novamente o hipopótamo, amável como um crocodilo.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Tu, outra vez! — bocejou o vizinho. — O que queres?</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Desculpa — disse o pequeno homem com a sua voz gentil. — Vim devolver-te o podão… e pedir-te, em troca, um cinzel, se fazes o favor.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Em troca? — zombou o vizinho. — Não há troca nenhuma porque o podão é meu. Dá-me um pedaço de madeira para a minha fogueira e emprestar-te-ei o meu cinzel.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003300;">* * *</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Assim foi feito. E o pequeno homem, um pouco desiludido, atentou no tronco muito curto. Ainda podia fazer um bonito tantã, não para toda a tribo, mas, mesmo assim, um bonito tantã. Cheio de coragem, meteu mãos à obra e depressa cavou o tronco. Faltava apenas endurecê-lo ao lume, para que fosse mais sólido e para que o seu som chegasse mais longe.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Mas o pequeno homem não tinha fogueira e já havia dado tanta madeira aos outros que não possuía o suficiente nem para atear um fogo. Claro que a fogueira do vizinho crepitava, um pouco mais longe, mas não ousava acordá-lo pela terceira vez.<br />
Foi então pedir aos homens fortes a permissão de passar o seu tantã pelo fogo.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— De acordo, — disseram eles — mas com a condição de pores uma acha na nossa fogueira, como todos fazem.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Mas… já não tenho madeira, já vos dei tudo! — respondeu.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Ah sim? E isto, isto não é madeira? — perguntou o mais forte dos homens fortes, indicando o pequeno tantã.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Com a morte na alma, o pequeno homem teve de se resolver a cortar um pedaço do tantã antes mesmo de lhe ter ouvido a voz.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">E quando pensou naquilo que lhe restava do imenso tronco que a árvore lhe tinha dado, esteve quase para se sentar a chorar e abandonar o seu belo projecto.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Mas caiu de novo em si e disse para si mesmo que, apesar de tudo, se não chegasse para um tantã, chegaria para fazer um grande tambor.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Cheio de coragem, meteu mãos à obra e o que restava do tantã foi rapidamente convertido em <em>djembé</em>. (<em>Djembé</em> é o nome que se dá em África a esta espécie de tambor). Mas o pequeno homem apercebeu-se de que lhe faltava uma pele de cabra para o tambor.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Partiu então à procura do rebanho de cabras. A rapariga que as guardava era ainda quase uma criança, e o pequeno homem pensou que seria mais fácil falar com ela.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Bom dia — disse à criança.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Bom dia — respondeu ela. — És tu que dás madeira a toda a gente em troca de uma ferramenta ou de lume?</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Sim, quer dizer… — começou ele.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— O que queres de mim? — interrompeu a criança.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Apenas uma pele de cabra, uma daquelas que tens por aí. Mas já não tenho madeira para te dar.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— É pena — disse a rapariga. — Porque também eu necessito de um pouco de madeira. Para afastar os leões do meu rebanho não há nada melhor do que uma boa fogueira, disseram-me os Anciãos.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Oh, por favor, dá-me uma pele. Bem vejo que não te fazem falta — suplicou o pequeno homem.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Pelo contrário, as minhas peles, troco-as por madeira! — retorquiu a criança.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">E, como mais ninguém na aldeia tinha peles de cabra, o homem foi obrigado, uma vez mais, a cortar um pedaço do tambor.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003300;">* * *</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">A pele de cabra era dura e seca, frágil como uma corcha. Antes de a colocar no tambor, era preciso macerá-la, fervê-la, esticá-la, batê- la, para a tornar mais suave e tão sólida como o couro.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Só faltava levá-la ao curtidor.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Aquele que curtia todas as peles da tribo morava sozinho fora da aldeia, perto do rio. O seu trabalho requeria muita água. E os outros não tinham querido que ele se instalasse perto, devido ao cheiro insuportável das peles molhadas.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Mas, por mais longe que o curtidor morasse, também ele tinha ouvido falar da árvore abatida. Por sua vez, reclamou uma parte, como prémio do seu trabalho.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— Mas já não há nenhuma árvore! — lamentou-se o pequeno homem. Ficou apenas um tambor!</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">— De acordo — concluiu o curtidor. — Contentar-me-ei com um bocado do tambor.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">E o pequeno homem cortou e deu-lhe a madeira, e a pele foi curtida, seca e ficou pronta a ser colocada no <em>djembé</em>.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Quando quis esticá-la, deu-se conta de que lhe faltava uma corda para o fazer.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Foi então à procura daquele que na aldeia melhor sabia entrançar cordas. É que a corda que estica a pele de um <em>djembé</em> tem de ser sólida.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Tal como os outros, o entrançador de cordas pediu um pouco de madeira. Apesar dos seus protestos e lamentos, o pequeno homem nada conseguiu. E o tambor ficou ainda mais pequeno.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Regressou a casa perturbado, com a corda ao ombro. Ao ver o tambor tão pequeno, perguntou-se se teria valido a pena o trabalho.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Depois, recordou a árvore que se erguia no meio da savana. Lembrou-se da promessa que lhe tinha feito e sentiu de novo coragem. Depressa a pele de cabra foi colocada no <em>djembé</em>, em arco, e muito esticada por uma rede de nós sólidos e complicados.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003300;">* * *</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">O homem olhou para o seu <em>djembé</em>, finalmente pronto! Claro que era um <em>djembé</em> muito pequenino, bem diferente daquele tantã que ele quereria ter talhado e no qual toda a tribo teria tocado em conjunto. No entanto, o homem não ficou decepcionado, porque era um belo <em>djembé</em>: esculpido, polido, suficientemente largo para as suas pequenas mãos, e suficientemente grande para lhe caber entre os joelhos. Então, quis experimentá-lo. Com as palmas e os dedos pôs-se a tocar. E a voz que saía deste tambor, tão pequenino que mais parecia um tambor de criança, era ampla e vasta e profunda como a floresta.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">O homem sentiu-se arrebatado e as suas mãos continuaram a tocar… E a voz imponente do pequeno <em>djembé</em> estendeu-se a toda a aldeia e à savana inteira.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Um por um, todos os membros da tribo aproximaram-se dele. Tinham vindo todos: desde o mais ancião dos Anciãos à pequena guardadora de cabras, do mais forte dos homens fortes ao vizinho crocodilo. Tinham deixado as suas fogueiras, as suas conversas enfadonhas e as suas sestas, para formar um círculo em redor do pequeno tambor. E faziam silêncio.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Do pequeno <em>djembé</em> elevavam-se palavras e frases que diziam toda a savana: o medo da zebra que foge à azagaia do caçador ávido, o sofrimento da erva que curva perante a chama acesa pelo homem, a doçura do vento que murmura nos ramos da árvore… E os homens escutavam. Eles, que só pensavam na caça, na guerra e nas fogueiras, faziam silêncio.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Assim, até aos limites da montanha e do deserto, cada pássaro, cada leão e cada girafa reconheceram a voz da velha árvore. E, graças às mãos do pequeno homem, todos partilharam de novo o seu saber, por muito tempo ainda. Porque, ao som do <em>djembé</em>, o cepo da antiga árvore germinou. Do jovem rebento brotou uma nova árvore.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">E, sob a sua corcha de árvore, corria a seiva da sabedoria de África.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">A seus pés, por entre as ervas altas, a leoa espiava o antílope ou a zebra que se tinham afastado do grupo. Os pássaros, que se empoleiravam nos ramos mais altos, conheciam-na bem. E as girafas, que comiam as folhas dos ramos do meio, e os leões, que se estendiam sob os ramos baixos para fazerem a sesta.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#003300;">Até os homens…</span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#003300;">Do Spillers<br />
<em>L’arbre qui parle</em><br />
Toulouse, Milan Poche, 1999<br />
tradução e adaptação</span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/humanizar.wordpress.com/25/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/humanizar.wordpress.com/25/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/humanizar.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/humanizar.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/humanizar.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/humanizar.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/humanizar.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/humanizar.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/humanizar.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/humanizar.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/humanizar.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/humanizar.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/humanizar.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/humanizar.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/humanizar.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/humanizar.wordpress.com/25/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=25&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A pedra no caminho</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 15:52:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lerp</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Perseverança Há capacidades que ficam por desenvolver devido à falta de perseverança. Os verdadeiros sucessos são feitos de esforços, de desilusões, de novas tentativas e, por vezes, de muitos sacrifícios. Se as diversões forem colocadas em primeiro lugar, é provável que os frutos a colher se tornem bastante amargos.   A pedra no caminho Conta-se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=24&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;"><span style="color:#702846;">Perseverança</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#702846;">Há capacidades que ficam por desenvolver devido à falta de perseverança. Os verdadeiros sucessos são feitos de esforços, de desilusões, de novas tentativas e, por vezes, de muitos sacrifícios. Se as diversões forem colocadas em primeiro lugar, é provável que os frutos a colher se tornem bastante amargos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:center;"><strong></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#003300;">A pedra no caminho</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Conta-se a lenda de um rei que viveu há muitos anos num país para lá dos mares. Era muito sábio e não poupava esforços para inculcar bons hábitos nos seus súbditos. Frequentemente, fazia coisas que pareciam estranhas e inúteis; mas tudo se destinava a ensinar o povo a ser trabalhador e prudente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Nada de bom pode vir a uma nação — dizia ele — cujo povo reclama e espera que outros resolvam os seus problemas. Deus concede os seus dons a quem trata dos problemas por conta própria.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Uma noite, enquanto todos dormiam, pôs uma enorme pedra na estrada que passava pelo palácio. Depois, foi esconder-se atrás de uma cerca e esperou para ver o que acontecia.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Primeiro, veio um fazendeiro com uma carroça carregada de sementes que ele levava para a moagem.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Onde já se viu tamanho descuido? — disse ele contrariado, enquanto desviava a sua parelha e contornava a pedra. — Por que motivo esses preguiçosos não mandam retirar a pedra da estrada?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">E continuou a reclamar sobre a inutilidade dos outros, sem ao menos tocar, ele próprio, na pedra.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Logo depois surgiu a cantar um jovem soldado. A longa pluma do seu quépi ondulava na brisa, e uma espada reluzente pendia-lhe à cintura. Ele pensava na extraordinária coragem que revelaria na guerra.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">O soldado não viu a pedra, mas tropeçou nela e estatelou-se no chão poeirento. Ergueu-se, sacudiu a poeira da roupa, pegou na espada e enfureceu-se com os preguiçosos que insensatamente haviam deixado uma pedra enorme na estrada. Também ele se afastou então, sem pensar uma única vez que ele próprio poderia retirar a pedra.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Assim correu o dia. Todos os que por ali passavam reclamavam e resmungavam por causa da pedra colocada na estrada, mas ninguém lhe tocava.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Finalmente, ao cair da noite, a filha do moleiro passou por lá. Era muito trabalhadora e estava cansada, pois desde cedo andara ocupada no moinho. Mas disse consigo própria: “Já está quase a escurecer e de noite, alguém pode tropeçar nesta pedra e ferir-se gravemente. Vou tirá-la do caminho.”</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">E tentou arrastar dali a pedra. Era muito pesada, mas a moça empurrou, e empurrou, e puxou, e inclinou, até que conseguiu retirá-la do lugar. Para sua surpresa, encontrou uma caixa debaixo da pedra.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Ergueu a caixa. Era pesada, pois estava cheia de alguma coisa. Havia na tampa os seguintes dizeres: “Esta caixa pertence a quem retirar a pedra.”</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Ela abriu a caixa e descobriu que estava cheia de ouro.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">A filha do moleiro foi para casa com o coração cheio de alegria. Quando o fazendeiro e o soldado e todos os outros ouviram o que havia ocorrido, juntaram-se em torno do local onde se encontrava a pedra. Revolveram com os pés o pó da estrada, na esperança de encontrarem um pedaço de ouro.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Meus amigos — disse o rei — com frequência encontramos obstáculos e fardos no nosso caminho. Podemos, se assim preferirmos, reclamar alto e bom som enquanto nos desviamos deles, ou podemos retirá-los e descobrir o que eles significam. A decepção é normalmente o preço da preguiça.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Então, o sábio rei montou no seu cavalo e, dando delicadamente as boas-noites, retirou-se.</span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#003300;">William J. Bennett<br />
<em>O Livro das Virtudes II</em><br />
Editora Nova Fronteira, 1996</span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/humanizar.wordpress.com/24/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/humanizar.wordpress.com/24/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/humanizar.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/humanizar.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/humanizar.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/humanizar.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/humanizar.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/humanizar.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/humanizar.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/humanizar.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/humanizar.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/humanizar.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/humanizar.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/humanizar.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/humanizar.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/humanizar.wordpress.com/24/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=24&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Como posso ajudar?</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 15:49:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lerp</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Discrição Nos dias de hoje, é comum pensar-se que aqueles que são famosos têm mais valor do que a generalidade das pessoas. Mas tudo não passa de ilusão. Aqueles que têm verdadeiro valor não são os que se evidenciam em programas medíocres ou em espectáculos desportivos alienantes, mas os que se esforçam, de um modo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=23&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;"><span style="color:#702846;">Discrição</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#702846;">Nos dias de hoje, é comum pensar-se que aqueles que são famosos têm mais valor do que a generalidade das pessoas. Mas tudo não passa de ilusão. Aqueles que têm verdadeiro valor não são os que se evidenciam em programas medíocres ou em espectáculos desportivos alienantes, mas os que se esforçam, de um modo muitas vezes anónimo, por tornar melhor o mundo em que vivem.</span></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#003300;">Como posso ajudar?</span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003300;"><em>Quando isto aconteceu, Rom Dass era um jovem americano de visita ao Japão. Praticava </em>Aikido<em>, uma arte marcial japonesa. Sentia-se orgulhoso das suas capacidades e estava ansioso por pô-las em prática.</em></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">O comboio trepidava e oscilava pelos subúrbios de Tóquio, numa sonolenta tarde de Primavera. A nossa carruagem ia relativamente vazia – apenas algumas donas de casa com os filhos a reboque e alguns velhotes que iam às compras. Eu olhava distraído para as casas monótonas e para as sebes poeirentas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Numa das estações, as portas abriram-se e, de repente, a tarde calma foi perturbada por um homem que praguejava violenta e incompreensivelmente. Cambaleou para dentro da nossa carruagem. Era alto, vestia um fato-macaco e estava bêbedo e sujo. Aos berros, deu um soco a uma mulher que trazia um bebé. O golpe fê-la rodopiar e cair no colo de um casal de idade. Foi um milagre o bebé não se ter magoado.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Aterrorizado, o casal levantou-se e precipitou-se para a outra extremidade da carruagem. O operário tentou pontapear o traseiro da senhora de idade mas falhou. Isto enfureceu-o de tal forma que agarrou o varão de metal do centro da carruagem e tentou arrancá-lo do lugar. Pude ver que tinha um corte numa das mãos e que sangrava. O comboio pôs-se subitamente em marcha, com os passageiros transidos de medo. Mantive-me firme.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Naquela altura, há cerca de vinte anos, eu era jovem e estava em muito boa forma. Ao longo dos últimos três anos tinha praticado oito horas de <em>Aikido</em>, quase diariamente. Gostava de agarrar os adversários e de os derrubar. Considerava-me um duro. O problema é que nunca testara a minha arte marcial em combates reais. Enquanto alunos de <em>Aikido</em>, não nos era permitido lutar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― O <em>Aikido</em> — dizia constantemente o meu professor — é a arte da reconciliação. Quem tem a intenção de lutar quebra a sua ligação com o universo. Se tentarmos dominar as pessoas, já estamos derrotados. Queremos resolver conflitos, não criá-los.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Eu prestava atenção ao que ele dizia. Esforçava-me. Cheguei até a atravessar a rua para evitar os chimpira, um dos muitos bandos de jovens japoneses marginais que se juntam nas estações de comboio. A minha paciência enchia-me de orgulho. Sentia-me simultaneamente forte e santo. Contudo, no meu coração, ansiava por uma oportunidade totalmente legítima em que pudesse salvar os inocentes e ao mesmo tempo acabar com os culpados.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">“É agora!”, disse a mim próprio enquanto me levantava. “Há pessoas em perigo. Se eu não agir depressa, alguém ficará magoado.”</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Ao ver-me levantar, o bêbedo viu em mim um alvo contra o qual dirigir a sua raiva.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Eh! ― gritou ― Um estrangeiro! Precisas de uma lição japonesa de boas maneiras.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Agarrei-me à correia da carruagem e olhei-o fixamente com desprezo e rejeição. Já tinha planeado arrumar de vez com aquele palerma, mas teria de ser ele a tomar a iniciativa. Como queria enfurecê-lo, juntei os lábios e atirei-lhe um beijo insolente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Muito bem! Vou dar-te uma lição — gritou. Preparou-se para me atacar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Uns segundos antes dele se mexer, alguém gritou muito alto: ― Eh!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Lembro-me daquele som estranhamente alegre, luminoso. O som que soltamos quando encontramos algo que tínhamos procurado com afinco: ― Eh!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Virei-me para a esquerda e o bêbedo para a direita. Olhámos espantados para um Japonês velho e pequenino. Era um cavalheiro magro, que devia ter setenta e tal anos, e que estava vestido com um quimono imaculado. Não me prestou atenção, mas sorriu encantadoramente para o operário, como se tivesse um segredo muito importante e agradável para partilhar com ele.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Venha cá ― chamou o velho. ― Venha cá falar comigo. ― E acenou ligeiramente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">O grandalhão fez o que ele disse, como se estivesse enfeitiçado. Plantou-se em frente do homem e gritou:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Por que diabo tenho de falar consigo?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">O bêbedo estava agora de costas voltadas para mim. Se o seu cotovelo se mexesse um milímetro que fosse, dava cabo dele.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">O cavalheiro continuava a sorrir para ele.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Que “teve” a beber? ― perguntou cheio de interesse.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― “Tive” a beber <em>sake</em> ― rosnou o operário, cobrindo-o de perdigotos ― e não é nada consigo!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Oh, mas é maravilhoso, mesmo maravilhoso! É que eu também adoro <em>sake</em>. Todas as noites, eu e a minha mulher (ela tem 76 anos) aquecemos uma pequenina garrafa de <em>sake</em>, levamo-la para o jardim e sentamo-nos num velho banco de madeira. Admiramos o pôr- do-sol e vemos como se está a dar o nosso diospireiro. Foi plantado pelo meu bisavô e preocupa-nos se recuperará das tempestades de gelo do último Inverno. A nossa árvore tem-se portado melhor do que eu esperava, sobretudo tendo em conta a má qualidade da terra. É um grande prazer olhar para ela enquanto tomamos o nosso <em>sake</em> e desfrutamos do entardecer, mesmo quando chove.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Olhou para o operário, com os olhos a brilhar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">À medida que tentava seguir a conversa do velho senhor, a expressão do bêbedo começou a suavizar. Os punhos descerraram-se lentamente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― É, eu também gosto muito de diospireiros…</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">A voz foi-se apagando.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Pois é ― anuiu o velho senhor ― e tenho a certeza de que também tem uma mulher maravilhosa.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Não, a minha mulher morreu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Pouco a pouco, e à medida que se balouçava ao ritmo do comboio, o grandalhão começou a soluçar:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― “Num” tenho mulher, “num” tenho casa, “num” tenho emprego. Tenho tanta vergonha.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">As lágrimas corriam-lhe pela cara abaixo e um espasmo de desespero percorreu-lhe o corpo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Chegara a minha vez. Ali especado, com a minha inocência lavada de fresco e a minha arrogância de democrata militante, senti- me, de repente, mais sujo do que ele.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Logo de seguida, o comboio chegou à minha estação. Enquanto as portas se abriam, ouvi o velho senhor dizer de forma compreensiva:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Meu Deus, que situação tão difícil. Sente-se aqui e fale-me disso.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Olhei-os pela última vez. Enquanto o comboio se afastava, sentei-me num banco. O que quisera fazer com os músculos, tinha sido conseguido com palavras gentis. Acabara de ver o <em>Aikido</em> testado em combate, e a sua essência era o amor. Teria de praticar a arte com um estado de espírito totalmente diferente. Ainda demoraria muito tempo até poder falar de resolução de conflitos.</span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#003300;">Ram Dass e Paul Gorman</span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#003300;">M. Clark; E. Briggs; C. Passmore (eds.)<br />
<em>Lighting candles in the dark</em><br />
Philadelphia, FGC, 2001<br />
tradução e adaptação</span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/humanizar.wordpress.com/23/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/humanizar.wordpress.com/23/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/humanizar.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/humanizar.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/humanizar.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/humanizar.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/humanizar.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/humanizar.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/humanizar.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/humanizar.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/humanizar.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/humanizar.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/humanizar.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/humanizar.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/humanizar.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/humanizar.wordpress.com/23/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=23&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Laura Flor</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 15:40:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lerp</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Solidariedade A ausência de diálogo leva à solidão. Muitas pessoas deprimidas acabaram no suicídio por não terem encontrado ninguém capaz de se interessar pelos seus problemas e de lhes incutir alguma esperança. O egoísmo, associado à mecanicidade do dia-a-dia, não permite a atenção ao outro, o gesto de delicadeza, a palavra que encoraja, a manifestação [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=22&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;"><span style="color:#702846;">Solidariedade</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><strong></strong><br />
<span style="color:#702846;">A ausência de diálogo leva à solidão. Muitas pessoas deprimidas acabaram no suicídio por não terem encontrado ninguém capaz de se interessar pelos seus problemas e de lhes incutir alguma esperança. O egoísmo, associado à mecanicidade do dia-a-dia, não permite a atenção ao outro, o gesto de delicadeza, a palavra que encoraja, a manifestação de afecto. Mas, sem isso, a vida torna-se árida.</span></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#003300;">Laura Flor</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Laura Flor, vem cá!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">A Laura veio e era como uma flor. Delicada e suave flor igual ao nome.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Depois, foi a Maria Clara de tranças belas, castanhas, nariz arrebitado, sorriso claro – e Clara se chamava. A apertar a bata, na cintura, um cinto feito de papéis de lustro de cor, arco-íris naquela cintura de menina.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Depois, a Maria Odete, figurinha que parece ter saído de uma jarra, sempre com muitos cuidados a andar, a falar, jeito que lhe ficou de estar dentro da jarrinha. Uns olhos orientais, um sorriso que é quase choro, franjinha negra sobre os olhos à flor da pele.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Maria Odete, se eu fosse ao Oriente e encontrasse uma flor, lembrava-me logo de ti!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Pois é! Ela tem os olhos em bico! — diz uma companheira, pronta a tirar conclusões.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Maria Odete começa a chorar. A caírem-lhe as lágrimas devagarinho, brilhantes, também com cuidado, lentas, luminosas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Eu não sei o que vou dizer, mas digo. Não sei o que disse, mas Maria Odete sorri. Devagarinho, também as lágrimas acabam de cair.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">A que disse que a Maria Odete tinha os olhos em bico é tal e qual uma maçã dourada, redonda, toda muito por igual: maçã suspensa, nítida, decidida.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">As meninas todas olharam com admiração a flor do Oriente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Eu é que não devia dizer estas coisas, eu é que tenho a culpa – pensar alto. Mas havia reparado ontem na Maria Odete a dizer-me que não tinha livro nenhum.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Foi tudo na cheia de ontem, minha senhora&#8230;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— E nunca mais os viste?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Nunca mais! A minha bata, apanhei-a hoje na valeta&#8230; Até o dinheiro que ficou está a secar, preso por molas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Diz isto com uma vozinha de quem canta dentro da tal jarra.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Sabe a senhora? As minhas vizinhas dizem que vão reclamar ao Ministro&#8230;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">—&#8230;?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Porque não arranjaram aquele cano&#8230; É por isso que eu hoje não trago bata nem tenho livro&#8230;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— …</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— &#8230; nem tenho dinheiro para comprar outro&#8230;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Diz isto tudo muito serena, com um ar de quem está a contar a história mais natural deste mundo. História tão cinzenta que na voz dela até parece um conto de fadas ao contrário.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">A menina linda com os olhos à flor da pele, transparentes e escuros ao mesmo tempo. Puros. A infância desarmada.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Senhor Ministro, devia ter mandado arranjar o cano. Não tenho livro, não tenho bata, o pouco dinheiro está a secar, preso por molas&#8230;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Tão serena. As lágrimas vagarosas de hoje – como meninas que saíram a passear para uma ilha imaginária.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Senhor Ministro, desça abaixo ao seu jardim&#8230;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Mas o Senhor Ministro não ouviu. Não desceu. Sabe lá o que é ter o pouco dinheiro preso por molas e os livros a irem na cheia.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">E deve ter aprendido na escola, no liceu, que Camões salvou os Lusíadas a nado. E que deixou o fim do poema para Laura Flor escrever. Com uma peninha de rouxinol.</span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#003300;">Matilde Rosa Araújo<br />
<em>As botas de meu pai</em><br />
Lisboa, Livros Horizonte, 1977</span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/humanizar.wordpress.com/22/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/humanizar.wordpress.com/22/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/humanizar.wordpress.com/22/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/humanizar.wordpress.com/22/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/humanizar.wordpress.com/22/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/humanizar.wordpress.com/22/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/humanizar.wordpress.com/22/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/humanizar.wordpress.com/22/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/humanizar.wordpress.com/22/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/humanizar.wordpress.com/22/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/humanizar.wordpress.com/22/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/humanizar.wordpress.com/22/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/humanizar.wordpress.com/22/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/humanizar.wordpress.com/22/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/humanizar.wordpress.com/22/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/humanizar.wordpress.com/22/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=22&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Marco brinca ao Bug’s Bunny</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 15:37:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lerp</dc:creator>
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		<category><![CDATA[valores]]></category>
		<category><![CDATA[prudência]]></category>

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		<description><![CDATA[Prudência A precipitação pode dar maus resultados. É sempre preferível pensar antes de agir, de contrário, há fortes probabilidades de se vir a lamentar as consequências de certos actos que, depois de praticados, deixam marcas que não se podem apagar.     Marco brinca ao Bug’s Bunny Os pais do José não têm televisão. Porém, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=21&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;"><span style="color:#702846;">Prudência</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#702846;">A precipitação pode dar maus resultados. É sempre preferível pensar antes de agir, de contrário, há fortes probabilidades de se vir a lamentar as consequências de certos actos que, depois de praticados, deixam marcas que não se podem apagar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#003300;">Marco brinca ao Bug’s Bunny</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Os pais do José não têm televisão. Porém, há certos programas que ele não gostaria de perder. Por isso, duas ou três vezes por semana, lá se senta ele frente à televisão, em casa de Marco, o amigo que mora no prédio defronte. A mãe de Marco, a Sr.ª Carolina, não tem nada contra as visitas de José. É um rapazinho calmo, poder-se-ia dizer, ao vê-lo ali sentado em frente ao aparelho, com o rosto delgado e sério e as mãos sobre os joelhos irregulares.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Quando está mau tempo, descalça-se antes de entrar, sem que seja preciso dizer-lhe. Não, a Sr.ª Carolina não tem nada contra o facto de José ir ver televisão, absolutamente nada. Por vezes, quando as crianças estão sentadas na sala semi-obscura em frente do aparelho, a Sr.ª Carolina entra sem fazer barulho e dá uma olhadela ao ecrã.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Vê então um coelho engraçado passar aos saltinhos, um porquito que agita o chapéu e faz cabriolas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">“Ah, o <em>Bug’s Bunny</em>! Ainda bem que há programas tão simpáticos para as crianças”, pensa a Sr.ª Carolina.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Regressa, descansada, à cozinha e mete a loiça na máquina de lavar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Entretanto, na sala, passam-se coisas emocionantes.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Bunny, o coelho, está a ser perseguido por Sam.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Sam tem pele escura, sobrancelhas espessas, cabelo e barba desgrenhados.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">“Ele tem mesmo um aspecto de mau”, pensa Marco. “Pele escura e todo desgrenhado. Eu era capaz de reconhecer imediatamente um mau na rua.”</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Por acaso, Marco até viu no jornal uma fotografia de Amadeu, assaltante de bancos. Tinha uma cara simpática, cara lisa sem barba, e vestia um fato normal com estampados de espinhas de peixe. Mas agora Marco não pensa nisso. Não tem tempo para pensar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">É que a acção já começou.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">O mau puxa de duas pistolas e aponta-as à inocente cabeça do coelho Bunny. O grande malandro! E o coelho que só lhe tinha arreganhado amigavelmente os dentes da frente!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Pum!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Boing!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Pam!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">O pobre do coelho quase não sobrevive a isto. Mas o fumo da pólvora já se dissipou. Bunny ainda cá está, são como um pêro, e malha com um cacete em cima de Sam. Sam escapa-se, vai buscar uma faca de cabo comprido e quer reduzir Bunny a pó.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Mas o coelho não é preguiçoso. Enche um melão com dinamite e consegue pô-lo na mesa do almoço. Sam parece ser não só mau mas também míope. Já está a levar o melão à boca rodeada de barba espessa.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Miac! Miac!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Puummmm!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Chuviscam estrelas. Do mau, resta apenas uma nuvem de pólvora. Mas… um, dois, três… cá está ele, chamuscado e careca como um frango depenado.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">No momento seguinte, já vai outra vez, são como um pêro, a correr atrás do coelho. Uma perseguição emocionante. Sam tramou uma coisa infame: e lá vai – socorro! – uma porta de chumbo a cair sobre Bunny.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Agora é que o apanhou de vez.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Errado, queridas crianças!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Cá vem ele a arrastar-se de debaixo da porta, mais espalmado do que um mata-moscas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Pronto! Agora é que o mau vai ter uma surpresa. O coelho dá- lhe uma salsicha de dinamite para comer. À conta dessa, o coelho acaba dentro de uma máquina de lavar roupa em funcionamento.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Um pouco mais tarde, é enfiado numa panela de água a ferver. Engraçado a valer. É de morrer a rir como se matam um ao outro!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">José assusta-se, como se fosse sempre a primeira vez. Está imóvel, de olhos fixos no ecrã.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Marco, pelo contrário, ri-se às gargalhadas. Há muito que se habituou aos divertidos jogos assassinos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Quando, no fim do programa, carrega no botão e apaga o ecrã, as imagens continuam a faiscar algures dentro dele.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Um bando inteiro de maus, um bando de coelhos, muitos diabos pequeninos estão agora dentro dele.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Centenas, milhares, que dão tiros uns aos outros.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Calcam-se com os pés, fazem-se explodir.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Matam à pancada, esquartejam.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Ralam, amordaçam.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Não o deixam em paz. Vão todos atrás de Marco, quando este desce as escadas com José e atravessa o pátio nas traseiras do prédio.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">O que mais gostava de fazer agora era qualquer coisa maluca. Partir um vidro, destruir uma bicicleta ou, pelo menos, meter dentro uma grade da cave. Só que o porteiro, no fim do trabalho, deita-se sempre por baixo da janela da cozinha, a apreciar o ar morno do fim da tarde, como ele próprio costuma dizer. O seu filho Hugo está no pátio, entre os caixotes do lixo, a treinar-se com as andas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Marco e José sentam-se no muro que separa o local cimentado dos arbustos de jardim.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Marco ainda está a pensar no Bug’s Bunny. Lembra-se agora de cenas que viu na última semana, ou na penúltima, e que achou mesmo engraçadas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Bunny tinha uma chávena de chá na mão e perguntou:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Um ou dois quadrados de açúcar?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Dois — respondeu Sam.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Então o coelho bateu-lhe duas vezes com o martelo na cabeça.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">E, de uma vez, Sam perguntou:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Bunny, estás a ver o animalzinho no meu punho? — Bunny abanou a cabeça e, curioso,<br />
inclinou-se para ver.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Então vou mostrar-te.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Sam riu maldosamente e deu-lhe com o punho na cara.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Eh, Zé! — disse Marco de repente, estendendo-lhe o punho fechado. — Consegues ver a pastilha elástica minúscula que está na unha do meu polegar?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Não.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">José aproxima a cara muito perto e pestaneja, cansado.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Poing! — grita Marco. Ao mesmo tempo, o punho fechado aterra no olho direito de José.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">O riso explode como um balão de pastilha elástica. Ouve-se José a gemer. A mão apalpa a sobrancelha, o sangue goteja. Por baixo da pálpebra começa a nascer uma nódoa negra.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Marco, agora, está muito assustado.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Olha fixamente para a boca de José, que está puxada para o lado de uma forma tão esquisita, como se José estivesse a rir. Mas José não está a rir. Aperta os dentes convulsivamente. Por entre a fileira dos dentes a respiração sai tumultuosa. O olho magoado deve doer-lhe muito. Outro rapaz ter-se-ia atirado a Marco, mas José limitou-se a virar na direcção de Marco o olho são, que agora também está muito pequeno e a piscar. O olho acusa Marco. “Porquê?”, parece perguntar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Marco não consegue entender. Era só uma brincadeira. Na série de televisão que acabou de ver, fazem coisas muito piores uns aos outros. E nunca há lágrimas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Nunca se vê sangue.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Ninguém fica doente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Ninguém fica mutilado.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Ninguém morre.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Só queria brincar ao Bug’s Bunny — diz Marco. — Desculpa, José.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Bug’s Bunny, Bug’s Bunny! — grita o filho do porteiro, que passa a correr junto ao muro e que apanhou as últimas palavras de Marco. Pára no tapete, olha para o muro, puxa os lábios para a frente para imitar um nariz a farejar e grunhe com uma voz grossa de porco:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Então, até à próxima vez, meus queridos amigos. E seeeeempre alegres!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Anda — diz Marco, pegando na mão de José e afastando-o do muro. Pelo caminho, sentiu a mão de José. É quente, palpitante, e acima dos nós dos dedos, está um pouco molhada pelas lágrimas que enxugou.</span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#003300;">Eveline Hasler</span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#003300;">Jutta Modler (org.)<br />
<em>Frieden fängt zu Hause an</em><br />
München, DTV Junior, 1989<br />
tradução e adaptação</span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/humanizar.wordpress.com/21/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/humanizar.wordpress.com/21/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/humanizar.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/humanizar.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/humanizar.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/humanizar.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/humanizar.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/humanizar.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/humanizar.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/humanizar.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/humanizar.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/humanizar.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/humanizar.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/humanizar.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/humanizar.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/humanizar.wordpress.com/21/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=21&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A pena pesada</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 15:31:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lerp</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Coragem É um sinal de coragem ser-se capaz de enfrentar os obstáculos com serenidade e de se adaptar às circunstâncias, que, ainda que desfavoráveis, são sempre oportunidades de amadurecimento. É, em contrapartida, um sinal de cobardia maltratar os mais fracos.   A pena pesada Kassa Kena Gananina foi antigamente o herói mais poderoso, mais temido [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=20&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;"><span style="color:#702846;">Coragem</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><strong></strong><br />
<span style="color:#702846;">É um sinal de coragem ser-se capaz de enfrentar os obstáculos com serenidade e de se adaptar às circunstâncias, que, ainda que desfavoráveis, são sempre oportunidades de amadurecimento. É, em contrapartida, um sinal de cobardia maltratar os mais fracos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#003300;">A pena pesada</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Kassa Kena Gananina foi antigamente o herói mais poderoso, mais temido e mais amado do povo mandinga. Um só volteio da sua arma podia matar vinte antílopes. Um só rasgo de cólera nos olhos assustava tanto as flechas inimigas que todas caíam a seus pés como para lhe pedirem compaixão. Kassa Kena Gananina era, em verdade, «aquele a quem nada podia vencer». Era assim que lhe chamavam, tanto entre os homens como entre os animais da terra e os espíritos celestes.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Ora, uma noite, quando festejava uma jornada de caça carnívora, chegou à aldeia um viajante curvado sobre um cajado tão gasto pelos caminhos que mais parecia a bengala de um anão.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Este venerável vagabundo, depois de saciado com um gole de água e alimentado com um pedaço de carne, sentou-se sob a árvore da palavra e pôs-se a contar as maravilhas que encontrara ao longo da sua vida errante por países longínquos. Aconteceu, assim, falar de um certo pássaro, Konoba, que vivia numa floresta montanhosa para lá dos territórios comuns dos homens.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Esse monstro — disse — é tão gigantesco que escurece o dia quando abre as asas. Pode, no entanto, tornar-se tão pequeno como um punho de mulher, mas então fica tão pesado que os baobás se enterram no chão com o seu peso. Sabe ser belo, se quiser, medonho, se o desejar. É invencível. Quanto mais poderoso é quem o enfrenta, maior prazer e facilidade tem Konoba em vencê-lo, porque o seu alimento preferido é a própria força dos seus inimigos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Kassa Kena Gananina, ouvindo estas palavras, franziu o sobrolho e baixou a cabeça. Os companheiros, vendo-o assim pensativo, desafiaram-no com insistência a sobreviver a um combate leal contra um monstro daquela espécie. Os elogios depressa aqueceram o coração do herói. Levantou-se, foi a casa buscar a arma e, sem dizer palavra, saiu em direcção a essa montanha onde vivia o prodigioso dragão.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Caminhou sete dias e sete noites, com passos largos e a cabeça metida nos ombros, sem descansar. Na madrugada do oitavo dia, chegou à última aldeia antes da terra do Konoba. Perguntou onde vivia este inimigo dos homens que desejava combater. Um velhote, tremendo de susto só de ouvir o nome do monstro, descreveu-lhe o caminho que desembocava na floresta.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Kassa Kena Gananina, nesse caminho enevoado, andou até ao meio-dia sem encontrar caça ou caçador. Chegado a uma clareira, o sol desapareceu repentinamente e à sua volta fez-se uma grande penumbra. O céu encheu-se de um murmúrio semelhante ao que atravessa a terra quando as suas entranhas se movem. O herói ergueu a fronte. Viu o pássaro. Estava imóvel, à altura de uma árvore. A cabeça de bico amarelo e curvo pendia entre as asas, tão vastas como o céu visível. Os olhos eram parecidos com duas luas de cores variadas. As garras eram sabres curvos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Homem poderoso e belo, eu te saúdo — disse o dragão celeste com voz aguda. — A tua força parece-me tão saborosa como um fruto fresco. Acende em ti a ira e a cólera para que eu me sacie com elas!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Kassa Kena Gananina estendeu o punho armado à face trocista, saltou para um rochedo, fez voltear a sua massa de ferro. No primeiro volteio vazou o olho esquerdo do pássaro Konoba, no segundo cegou o olho direito, que chorou lágrimas de fogo. Então, num ruído ensurdecedor de asas, o monstro encolheu e num instante se reduziu a uma bola negra, que num longo silvo desceu do céu e caiu tão pesadamente que a terra tremeu e abriu fendas. Kassa Kena Gananina, de cabeça erguida para o grande Sol, soltou um grito de triunfo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Viu uma pena a última liberta das asas evaporadas balancear-se no ar calmo sobre a sua cabeça. Quis agarrá-la, mas ela escapou-se-lhe e pousou-lhe na nuca. Então, o herói curvou as costas, titubeou, caiu de joelhos e deixou-se ir até enterrar o queixo na terra, coberto por esse fardo insuportável. Tentou arrancar essa pena muito pesada do cabelo, onde estava presa. Não o conseguiu e ficou grotescamente ajoelhado, resmungando e debatendo-se como uma raposa apanhada na armadilha.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Depois de ter gritado, pedido ajuda e, finalmente gemido, sem forças, durante muito tempo, veio o crepúsculo e com ele apareceu ao fundo da clareira uma mulher de idade. Trazia às costas uma criança pequena de pernas roliças, mas já em idade de andar. Kassa Kena Gananina chamou-a, agitando a mão sobre a erva e, com voz moribunda, pediu-lhe que fosse buscar todos os homens da aldeia para que o ajudassem a desfazer-se daquela pena tão pesada como um monte.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— O que te passou pela cabeça — disse ela — para precisares que sessenta e cinco guerreiros do meu clã venham tirar-te essa coisa da nuca?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Debruçou-se, soprou e a pena voou. Depois agarrou no pássaro Konoba, reduzido a uma bola no solo fendido, e estendeu-o à criança, que o agarrou e brincou com ele, rindo, entre as suas mãos ágeis. Os dois afastaram-se na paz do dia que acabava.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Kassa Kena Gananina ficou durante muito tempo sentado no chão, completamente estupefacto e desconcertado. Depois voltou à sua aldeia, onde contou a aventura à sombra da Árvore da Palavra. Quando disse como tinha sido liberto, fez-se um silêncio perplexo na assembleia. Então, um ancião sonolento bocejou ruidosamente e disse, levantando-se para se ir deitar:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Para quem não sabe nada do pássaro Konoba, uma pena é uma pena — balbuciou. — Boa noite, senhores.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Kassa Kena Gananina beijou as mãos do sábio, e a partir desse dia entregou-se à conquista infinita de um bem mais precioso do que toda a força: a inocência.</span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#003300;">Henri Gougaud<br />
<em>A Árvore dos Tesouros</em><br />
Lisboa, Gradiva, 1998</span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/humanizar.wordpress.com/20/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/humanizar.wordpress.com/20/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/humanizar.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/humanizar.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/humanizar.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/humanizar.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/humanizar.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/humanizar.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/humanizar.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/humanizar.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/humanizar.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/humanizar.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/humanizar.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/humanizar.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/humanizar.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/humanizar.wordpress.com/20/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=20&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>As palavras cor-de-rosa e as palavras cinzentas</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 15:29:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lerp</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Delicadeza A falta de compostura e as liberdades de linguagem tomaram o lugar da correcção e da delicadeza, que ainda prevaleciam há algum tempo atrás. A mentalidade permissiva que tem vindo a instalar-se, a par de um falso conceito de liberdade, tem criado situações de grave confusão, das quais os mais jovens são as principais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=19&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;"><span style="color:#702846;">Delicadeza</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#702846;">A falta de compostura e as liberdades de linguagem tomaram o lugar da correcção e da delicadeza, que ainda prevaleciam há algum tempo atrás. A mentalidade permissiva que tem vindo a instalar-se, a par de um falso conceito de liberdade, tem criado situações de grave confusão, das quais os mais jovens são as principais vítimas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:center;"><strong>As palavras cor-de-rosa e as palavras cinzentas</strong></p>
<p align="justify">Um dia, sem se saber muito bem porquê, tudo aconteceu de repente: as palavras cor-de-rosa desapareceram do planeta. O que são palavras cor-de-rosa? São palavras delicadas, como <span style="color:#ff00ff;">Obrigado</span>, <span style="color:#ff00ff;">Faça favor</span>, <span style="color:#ff00ff;">Se não se importa</span>, <span style="color:#ff00ff;">És tão importante para mim</span>. Palavras tão doces que são como mel no coração.</p>
<p align="justify">Seria obra do Mago Cinzento, que só gostava do salgado, do picante e do amargo? Não… Eram os homens que, vá lá saber-se porquê, preferiam as palavras picantes, amargas e salgadas.</p>
<p align="justify">Naquela época, existiam na Terra lojas de palavras cor-de-rosa e lojas de palavras cinzentas. Os vendedores de palavras cor-de-rosa vendiam <span style="color:#ff00ff;">Amo-te</span>, <span style="color:#ff00ff;">Penso em ti</span>, <span style="color:#ff00ff;">Muito Obrigado</span>, <span style="color:#ff00ff;">Se faz favor</span>… Os vendedores de palavras cinzentas vendiam sobretudo <span style="color:#808080;">Cabeça de alho chocho</span>, <span style="color:#808080;">Não me chateies</span>, <span style="color:#808080;">Cala o bico…</span></p>
<p align="justify">A princípio, comprava-se muito mais palavras cor-de-rosa do que palavras cinzentas. Os vendedores de palavras cor-de-rosa faziam bons negócios, e um perfume doce envolvia a Terra. Os vendedores de palavras cinzentas passavam os dias à espera, porque só tinham clientes uma ou duas vezes por ano, por alturas de grandes zangas.</p>
<p align="justify">No entanto, um dia, os homens puseram-se estranhamente a comprar palavras cinzentas. Havia uma crise de emprego, uma greve de corações. Os patrões compravam muitos <span style="color:#808080;">Vá pregar a outra freguesia</span>, <span style="color:#808080;">Está bem arranjado, homem</span>, <span style="color:#808080;">Obrigado pelos seus serviços mas está despedido</span>. Havia guerras entre famílias, divórcios, casais que já não se entendiam. Invejas entre irmãos, zangas… Comprava-se vários <span style="color:#808080;">Já não gosto de ti</span>, <span style="color:#808080;">Acabou tudo</span>. Nas lojas de palavras cor-de- rosa, muitos <span style="color:#ff00ff;">Obrigado</span>, <span style="color:#ff00ff;">Por favor</span>, <span style="color:#ff00ff;">Gosto de ti</span>, ficavam por vender.</p>
<p align="justify">— Para o diabo com as palavras doces — diziam os homens. — São caras e não trazem nenhum benefício.</p>
<p align="justify">Os vendedores de palavras cor-de-rosa, desolados, já não sabiam onde as armazenar.</p>
<p align="justify">As lojas cor-de-rosa fechavam umas atrás das outras. <strong>Passa-se</strong>, <strong>Fechado por morte do proprietário</strong>, <strong>Liquidação total</strong>, <strong>Quinze palavras cor-de-rosa pelo preço de uma</strong>. Mas, mesmo a preços módicos, elas não atraíam ninguém. As lojas de palavras cinzentas, essas sim, prosperavam. Porque, e isso é bem conhecido, as palavras feias são contagiosas. Se no recreio te lembrares de lançar uma, receberás dez em troca! Abriram-se mesmo lojas especializadas em palavras feias, risos grosseiros, insultos horríveis. E os vendedores cinzentos trabalhavam dia e noite para descobrirem jóias raras, as palavras mais horríveis e mais maldosas!</p>
<p align="justify">Como receavam ficar sem provisões, como costuma acontecer em tempo de guerra, as pessoas começaram a fazer conservas de palavras cinzentas. Congelaram-nas às dúzias, empilharam-nas nos armários da cozinha, nos guarda-fatos, debaixo das camas.</p>
<p align="justify">E, upa, ao menor atrito, ao mais pequeno gracejo, à mais insignificante discussão, ia-se à reserva: <span style="color:#808080;">Cala o bico</span>, <span style="color:#808080;">Vai ver se chove</span>, <span style="color:#808080;">És um atraso de vida</span>, <span style="color:#808080;">Ó gordefas</span>, e assim por adiante!</p>
<p align="justify">Os aniversários tinham lugar no meio dos piores insultos. Cantarolava-se <span style="color:#808080;">Infeliz aniversár</span><span style="color:#808080;">io, infeliz aniversário</span>, lançando-se uma bomba de palavras feias no meio da festa. Entre os adultos, para se festejar a passagem do ano, comia-se as passas e bebia-se sumo de peúgas pretas, no meio de gracejos do género:</p>
<p align="justify">— <span style="color:#808080;">Desejo-te um ano péssimo… e, principalmente, muito pouca saúde</span>!</p>
<p align="justify">E, quando se abriam as prendas, era um concerto de gemidos:</p>
<p align="justify">— <span style="color:#808080;">Que feio! Como é que tiveste uma ideia tão má? É, de facto, o presente que eu menos queria receber!</span></p>
<p align="justify">Antes das aulas, as crianças corriam para as lojas cinzentas e enchiam os bolsos de palavras feias para a hora do recreio. Antes das férias, os adultos também lá iam, para encherem as malas de palavras cinzentas, de piadas estúpidas, que atiravam pela janela na auto- estrada, entre as sandes e o café, durante os engarrafamentos: <span style="color:#808080;">Ó aselha, vai mas é plantar batatas</span>!</p>
<p align="justify">À face da Terra, a atmosfera era glacial. O Sol, que tem medo das grosserias e dos arraiais de pancada, recusava-se agora a brilhar. Lembrava-se de outros tempos, em que era acolhido de braços abertos:</p>
<p align="justify">— <span style="color:#ff00ff;">Está bom tempo! Que maravilha! Obrigado, amigo Sol… Oh, meu Deus, como gosto do Sol…</span></p>
<p align="justify">Em vez disso, ouvia-se agora:</p>
<p align="justify">— <span style="color:#808080;">Que calor horrível! Bolas! Kêkalôr!</span></p>
<p align="justify">Então as nuvens invadiram o céu, e a terra mergulhou num período glacial. Toda a gente tinha frio. As pessoas recusavam-se a despir-se, já não faziam festas umas às outras, já não nasciam bebés. A Terra estava tão triste, sem flores nem palavras cor-de-rosa!</p>
<p align="justify">No entanto, algures no mundo, um rapazinho não queria habituar-se às palavras cinzentas. Talvez por, no seu bolso, ter ficado uma palavra cor-de-rosa meio gelada. “Eu”, dizia Pedro, “não quero um mundo onde mais ninguém canta; onde não se diz bom dia, nem obrigado, onde há sempre tanto frio. Vou ver se encontro o Sol.” O rapazinho caminhou durante muito tempo, escalou colinas geladas, pequenas e grandes montanhas, vulcões extintos. Por fim, ao cabo de meses e meses de árdua caminhada, chegou exausto e transido à casa das nuvens.</p>
<p align="justify">— Toc, toc — bateu. — Venho à procura do Sol.</p>
<p align="justify">— Oh, oh! — exclamou a nuvem-chefe, que se tinha apoderado do céu cinzento. — Olhem só para isto… Um fedelho ridículo que vem à procura do senhor Sol! O Sol não aparece a ninguém! Desde que as palavras cinzentas tomaram o poder, somos nós, as nuvens pardacentas, que somos os chefes.</p>
<p align="justify">Dito isto, virou as costas e fechou-lhe a porta na cara.</p>
<p align="justify">O rapazinho sentou-se, confuso. Como responder? Não trazia no bolso uma única palavra cinzenta. Então, começou a chorar. A nuvem olhou para ele surpreendida: já há muito tempo que não via ninguém chorar! Naquele universo glacial, todos os olhos estavam gelados, todos os corações estavam frios.</p>
<p align="justify">— Pára com isso imediatamente! — gemeu a nuvem. — Se não, vou fazer cair um aguaceiro. (Porque as nuvens têm habitualmente a lágrima ao canto do olho.)</p>
<p align="justify">Finalmente comovida, tomou, lá no íntimo, a decisão de o ajudar.</p>
<p align="justify">— Olha — disse-lhe. — Aquela bolinha amarela ali em baixo é o Sol.</p>
<p align="justify">Pedro abriu os olhos e viu de facto uma bola de bilhar perdida na imensidão do azul: era o Sol, que estava a desaparecer por causa dos maus-tratos.</p>
<p align="justify">Já no limite das forças, o rapazinho caminhou em direcção da pequena bola amarela.</p>
<p align="justify">— Bom dia — cumprimentou. — Vim buscar-te. Tudo se tornou cinzento na Terra. Temos frio, sentimo-nos mal. Nunca nos rimos, nunca dizemos palavras delicadas. Tens de voltar.</p>
<p align="justify">E o Sol e o rapazinho começaram ambos a suspirar, pensando naquela “época cor-de-rosa”.</p>
<p align="justify">— Tens de voltar — insistiu Pedro.</p>
<p align="justify">— Vou, a título de experiência — resmungou o Sol. — Mas atira primeiro para a Terra estas palavras cor-de-rosa. Assim, o meu regresso será mais agradável.</p>
<p align="justify">O Sol deu ao menino um conjunto de palavras cor-de-rosa:<span style="color:#ff00ff;"> Por favor</span>, <span style="color:#ff00ff;">É simpático da tua parte</span>, <span style="color:#ff00ff;">Muito obrigado</span>, <span style="color:#ff00ff;">Gosto muito de ti</span>, <span style="color:#ff00ff;">Amor da minha vida</span>, <span style="color:#ff00ff;">Se não se importa</span>, etc. O rapazinho meteu-as nos bolsos, na boca, no boné, nas meias, em todo o lado. Todas as que ele conseguisse levar.</p>
<p align="justify">Regressou à Terra e distribuiu-as ao acaso.</p>
<p align="justify">De repente, nos engarrafamentos, as pessoas começaram a desdobrar os papelinhos cor-de-rosa: <span style="color:#ff00ff;">Faz favor de passar</span>, <span style="color:#ff00ff;">Que tempo tão bonito, não acha?</span>, <span style="color:#ff00ff;">Pode ir à minha frente, não tenho pressa nenhuma…</span></p>
<p align="justify">Nos recreios, começaram a ouvir-se novamente risos simpáticos e palavras como És o meu melhor amigo, Claro que podes entrar no jogo…</p>
<p align="justify">Em casa, as crianças voltaram a usar palavras cor-de-rosa: <span style="color:#ff00ff;">Obrigada, mamã</span>, <span style="color:#ff00ff;">Por favor</span>, <span style="color:#ff00ff;">Desculpa, não fiz de propósito…</span></p>
<p align="justify">Nos aniversários, cantava-se alegremente e, nas festas da passagem do ano, formulava-se votos de felicidade e de saúde.</p>
<p align="justify">O Sol voltou a brilhar e a deitar-se todas as noites na sua nuvem cor-de-rosa. E, juro-te, os vendedores de palavras cor-de-rosa começaram a fazer fortuna! Abriram-se mesmo outras lojas especializadas em sorrisos, em suspiros de satisfação, em delicadeza, em cortesia, em civismo… Foi como mel no coração.</p>
<p align="justify">Quanto às palavras cinzentas, decidiram, diante de tanta felicidade, desarvorar com quantas patas cinzentas e peludas tinham. E, quando alguma se lembrava de vir meter o nariz, garanto-vos que não ficava por muito tempo.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/humanizar.wordpress.com/19/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/humanizar.wordpress.com/19/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/humanizar.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/humanizar.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/humanizar.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/humanizar.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/humanizar.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/humanizar.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/humanizar.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/humanizar.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/humanizar.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/humanizar.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/humanizar.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/humanizar.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/humanizar.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/humanizar.wordpress.com/19/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=19&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A cor dos olhos</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 15:18:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lerp</dc:creator>
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		<category><![CDATA[valores]]></category>
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		<description><![CDATA[Fortaleza A vida tem reviravoltas súbitas e as dificuldades surgem quando menos se espera. Mas é um erro responder com agressividade ou cair no desânimo. A atitude correcta é procurar compreender o sentido dessas dificuldades e não se deixar intimidar por elas.   A cor dos olhos Naquele tempo, que não era como o tempo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=18&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;"><span style="color:#702846;">Fortaleza</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><strong></strong><br />
<span style="color:#702846;">A vida tem reviravoltas súbitas e as dificuldades surgem quando menos se espera. Mas é um erro responder com agressividade ou cair no desânimo. A atitude correcta é procurar compreender o sentido dessas dificuldades e não se deixar intimidar por elas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#003300;">A cor dos olhos</span></strong></p>
<p><span style="color:#003300;">Naquele tempo, que não era como o tempo de hoje, os leões já tinham quatro patas mas, tal como os elefantes, não podiam meter-se por dois caminhos ao mesmo tempo!</span></p>
<p><span style="color:#003300;">Naquele tempo</span></p>
<p><span style="color:#003300;">                     naquela aldeia</span></p>
<p><span style="color:#003300;">                                              havia Fati e Issa.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Fati dormia deitada numa esteira, sempre de barriga para baixo. Durante esse tempo, Issa sonhava deitado de costas, na cabana da mãe.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Uma manhã, Issa convidou Fati para ir com ele à pesca, no grande riacho.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Fati, vens ou não pescar?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Vou, mas… e se o peixe não morde?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Ficamos à espera.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Partiram com ele à frente, como sempre.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Fati, que era cega, seguia-lhe os passos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">A mãe dela, como todas as mães da aldeia, sabia fazer um bom molho com sementes e também uma mistura saborosa de inhame. O pai conhecia os remédios contra as serpentes e os génios malfazejos, e contra os anões ruins do mato que só fazem mal!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Mas nem o pai nem a mãe sabiam transformar os olhos que não vêem em olhos que vêem!<br />
Fati e Issa caminhavam num estreito carreiro vermelho.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Issa viu pássaros tecelões dar reviravoltas perto das folhas de um embondeiro.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Fati ouviu-os chilrear.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Tinha posto na cabeça um lenço para se proteger um pouco. Tal como Issa, sentia o sol a queimar-lhe os ombros como se fosse uma fogueira no mato.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Não sabia nada da forma zombeteira das sombras, sempre um pouco maiores, mas conseguia adivinhar a grande boca do sol que sugava o céu com gulodice.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Chegaram ao riacho.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― A água está bem desperta ― gritou Issa.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Fati mergulhou o dedo e exclamou:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Esta água está toda molhada!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Issa preparou uma linha para Fati e outra para ele.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Deitaram-nas à água. Passou algum tempo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Issa inclinou-se para Fati e murmurou-lhe, quase a morder-lhe a orelha:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Não te mexas, vou andar alguns passos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Porquê?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― O sol está muito forte. Talvez encontre uma jujubeira que nos dê sombra.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Afastou-se, apressado, para fazer algo que ninguém poderia ter feito por ele!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Nada acontece sem se fazer anunciar…</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Fati, com a linha entre os dedos, estava tão imóvel como uma velha termiteira, quando sentiu um abanão na mão. Quando sentiu o segundo abanão, foi como se estivesse à espera dele, precisamente naquele momento. Puxou com um gesto seco e, quando ouviu a água a salpicar, não teve dúvidas: era mesmo um peixe que tinha mordido o isco e que ela estava a pescar. Com cuidado, para não assustar nada nem ninguém, levantou-se, puxando sempre a linha com a mão.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Agarrou o pequeno peixe que dançava agarrado ao isco.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Disse em voz alta, para si própria: “É de certeza uma carpa, uma carpa pequena e linda.”</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Uma carpa que preferiria voltar para a água em vez de assar ao sol — respondeu-lhe uma voz.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― És tu, Issa?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Não é o Issa, sou eu ― respondeu-lhe a carpa.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Mas quem está a falar? ― perguntou Fati.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Não obteve resposta. Pensou que tinha sonhado.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Com cuidado, tirou o peixe do isco.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Ufa! Obrigado. Assim está melhor ― ouviu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Mas de quem é esta voz que não conheço?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― É minha. Sou a carpa que acabas de pescar, não vês?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Não. Tenho olhos mas não vejo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">A carpa, que era menos medrosa do que uma tartaruga e mais faladora do que um quimbanda lisonjeador, continuou a falar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Será que me podes dizer o teu nome, tu que me pescaste?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Fati.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Fati, se voltares a pôr-me na água do riacho, posso dar-te o mais belo dos presentes.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― O que é o mais belo dos presentes?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― É o que quiseres… exactamente o que quiseres.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Não existe o mais belo dos presentes.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Existe, sim!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Fati pôs-se a rir e disse à carpa:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Pequeno peixe, podes ofender o génio da água com as tuas mentiras.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Não estou a mentir.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Então faz-me ver o mundo com os meus dois olhos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― O mundo inteiro?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― O mundo inteiro.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Sem pensar duas vezes, o pequeno peixe disse a Fati:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Pega em duas das minhas escamas, e põe uma em cada olho.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Depois…</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Depois, nada. É tudo. Verás o que quiseres ver.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Fati pegou em duas escamas e fez o que a carpa lhe tinha dito. Então, começou a ver de verdade, e os seus dois olhos tocaram o mundo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Agora, podes ver quase tudo ― disse-lhe a carpa.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Porquê “quase”?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Podes ver tudo, excepto os teus olhos. Com os próprios olhos, ninguém pode ver os seus próprios olhos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Fati pôs o pequeno peixe no riacho e ele continuou a viver como um peixe na água.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Issa chegou.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Fati, que nunca o tinha visto, viu-o aproximar-se.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Issa, estou a reconhecer-te.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― É lógico, porque me conheces.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Reconheço-te com os meus olhos, não apenas com os ouvidos!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Issa tinha parado a dois passos de Fati. Olhava-a bem de perto, e assim podia ver-lhe os olhos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Exclamou:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Mas o que é que se passa? Lavaste os olhos no céu?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― E porque dizes isso?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Fati, os teus olhos estão azuis como o céu. Continuas negra, mas tens os olhos cor do céu!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Fati contou-lhe tudo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Quando chegaram à aldeia, Fati ficou espantada por ver um só mundo com os dois olhos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">No dia seguinte, de manhã, ouviram a aldeia a murmurar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Issa, que continuava a dar-lhe a mão, escutou as vozes ao mesmo tempo que ela.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Viram chegar as três co-esposas do pai de Fati, e outras mulheres, e alguns homens. Tinham a boca cheia de maldades e gritavam. A seguir, chegaram os da aldeia. Eram piores do que animais loucos do mato. Gritavam:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Bruxa!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Fati, vai-te embora!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Não passas de uma bastarda do céu!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Bruxa azul! Deixa-nos, vai-te embora para sempre, tu e os teus olhos azuis!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Excremento de abutre!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Puseram-se a atirar-lhe pedras e Fati não encontrou outra solução senão fugir. Issa, que<br />
tentara defendê-la, teve de fazer o mesmo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Depois de uma longa corrida, chegaram ao fundo, ao fim do fim, um pouco mais longe do que o horizonte.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Fati, eu gosto de ti.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Não tens medo dos meus olhos?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Fati, eu gosto de ti.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Tinham-se sentado frente a frente, à sombra de uma jujubeira.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Fati perguntou:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Será que fechando os olhos, acabamos com a maldade?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Não… não se acaba com nada. Se fechares os olhos, nem sequer acabas com as cóleras do mato.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Calaram-se. Issa tomou as mãos de Fati nas suas. Fati tinha dois olhos para ver e chorar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Murmurou-lhe:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Eles têm medo. Estão cativos do medo que têm, e o medo faz esquecer o coração…</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Nesse dia, nesse tempo, que se parecia muito com o tempo de hoje, Fati e Issa tinham o coração ferido como uma velha cabaça.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Levantaram-se e afastaram-se ainda mais da aldeia, talvez para encontrar a fonte dos quatro ventos do céu, aqueles que fazem as mesmas cócegas em todas as cores do mundo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Muitas estações das chuvas deram lugar a muitas estações secas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">E ontem, na aldeia, um grande pássaro negro pousou na bela árvore vermelha florida. Era um calau.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Um calau negro de olhos azuis. Sim, negro de olhos azuis! Todos o acharam belo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Este calau era um sinal. Logo que parou na grande árvore da aldeia, Fati e Issa chegaram.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Fati sorria tal como Issa. Foi ela quem disse:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Bom dia, estávamos tão longe há tanto tempo… eis-nos aqui, os dois.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Bom dia!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">― Bom dia…</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Foram muitos os que lhes ofereceram a água das boas-vindas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">No dia seguinte, Issa começou a construir a cabana deles.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Tal como acontecera com os pais deles, foi na sua aldeia que tiveram os filhos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">E foi assim.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Foi o quimbanda quem mo disse.</span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#003300;">Yves Pinguilly, Florence Koenig<br />
<em>La couleur des yeux</em><br />
Paris, Autrement Jeunesse, 2001<br />
tradução e adaptação</span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/humanizar.wordpress.com/18/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/humanizar.wordpress.com/18/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/humanizar.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/humanizar.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/humanizar.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/humanizar.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/humanizar.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/humanizar.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/humanizar.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/humanizar.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/humanizar.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/humanizar.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/humanizar.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/humanizar.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/humanizar.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/humanizar.wordpress.com/18/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=18&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um gato debaixo do pinheiro de Natal</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 15:14:24 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Compaixão As pessoas têm tendência para se alhear dos sofrimentos dos outros ou para os minimizar. Aqueles que vivem sem dificuldades esquecem que há pessoas em situação de grande pobreza, e aqueles que têm saúde não apoiam os que estão doentes. É necessário aprender-se a sentir compaixão.     Um gato debaixo do pinheiro de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=16&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;"><span style="color:#702846;">Compaixão</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#702846;">As pessoas têm tendência para se alhear dos sofrimentos dos outros ou para os minimizar. Aqueles que vivem sem dificuldades esquecem que há pessoas em situação de grande pobreza, e aqueles que têm saúde não apoiam os que estão doentes. É necessário aprender-se a sentir compaixão.</span></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#003300;">Um gato debaixo do pinheiro de Natal</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong></strong><br />
<span style="color:#003300;">Porque a vida habitava nela, a possuía, a menina reconhecia a morte inscrita no reverso de qualquer momento de felicidade, de qualquer instante feliz. Brincava no cemitério como se fosse um jardim.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— O gato cinzento está com mau aspecto — observa Laura, empoleirada no alto do pequeno muro que separa o jardim do baldio. Mas o pai está a cortar a sebe e não ouve o que ela diz.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— O gato cinzento está com mau aspecto; acho que está doente… — insiste ela.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">A mãe não ouve, ocupada também a arrancar as ervas do passeio, o que Laura, aliás, também devia estar a fazer para a ajudar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Então Laura repete para si, em voz baixa e grave:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Parece que o gato cinzento vai morrer.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">O gato sem nome nem casa tem o pelo descaído e o salto lento; não liga aos pássaros, já não tem fome, foge do sol e abriga-se entre dois pés de urtigas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— É preciso chamar o veterinário — sugere Laura.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Nem penses! Ele tem mais que fazer do que tratar os gatos vadios.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Desta vez, a mãe sempre resolvera responder.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Não é vadio, porque eu acolhi-o e gosto dele — retorquiu Laura.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Laura só faz o que lhe apetece. Amanhã, a caminho da escola, vai bater à porta do veterinário, como fez da outra vez por causa de um passarinho caído do ninho e de um ouriço-cacheiro meio esmagado por uma bicicleta. É um veterinário idoso muito simpático, que não a manda dar uma volta.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">“Amanhã vou esconder o gato na minha pasta, está decidido.”</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">No dia seguinte, não consegue encontrar o gato em lado nenhum e são já mais que horas de ir para a escola. Laura vai então sem o gato. Bate à porta do veterinário para pedir um conselho.<br />
Mas é a mulher que vem à porta e lhe dá uma resposta seca:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— O meu marido está inundado de trabalho.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">“Inundado”? O rio inunda as terras; a banheira, quando demasiado cheia, inunda o quarto de banho… mas um veterinário “inundado”? Então, quem há-de aconselhar Laura? Não quer que se riam dela, não quer ser motivo de troça.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Durante o recreio do meio-dia, Laura escapuliu-se do pátio. Se a professora soubesse! Se a mãe a visse! Ela sabe que pode ser suspensa por três dias: “Que falta de responsabilidade!”. Ela bem sabe, mas o gato cinzento está com tão mau aspecto…</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Que surpresa! É um rapaz novo que vem atender.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— O meu pai vai aposentar-se e sou eu que vou substitui-lo — explica com gentileza, ao ver o espanto de Laura.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Ela gaguejou ao falar do gato e o veterinário compreendeu num ápice:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Esta tarde, Laura, não tenho muito trabalho, e por isso vou dar uma volta para esse lado.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Depois das quatro horas, ao regressar da escola, Laura encontrou um bilhete que a mãe lhe leu:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><em><span style="color:#003300;">Lamento! Tive de ajudar o teu gato a partir sem sofrer demasiado… Foi pena, mas era melhor para ele. Quando quiseres…</span></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em><span style="color:#003300;">Até breve, Laura!</span></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em><span style="color:#003300;">Sérgio</span></em></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Laura ouviu a mãe falar a sério de eutanásia, de injecção, e concluir por fim:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Tens um amigo novo. Sérgio é um nome estranho, que me faz pensar no tecido do casaco que eu usava quando tinha a tua idade e que…</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Mas ela não tinha vontade de ouvir as recordações da mãe. Foi chorar sozinha para cima do pequeno muro. Perguntou a si mesma para onde teria Sérgio levado o gato morto. Pareceu-lhe tê-lo visto, cinzento e de pêlo brilhante, escapar-se por entre as ervas altas; bem sabe que foi uma ilusão. Depois, o pintarroxo-que-tinha-medo-do-gato voltou para o terraço e Laura riu-se das suas bicadas ávidas. Saltou rapidamente do seu posto de observação para ir buscar migalhas frescas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Junto do pinheiro de Natal, está um presente que dá saltos. Contrariamente ao habitual, a mãe sugere que se abram as prendas de Natal antes da missa do galo. Laura nem quer acreditar. Há muitas coisas a mudar nesta casa, de há uns tempos para cá. Talvez desde que o pai “esteve às portas da morte”, como diz a avozinha. Laura ficou a saber que isso significa escapar à morte. Terá ela suspeitado da gravidade do estado de saúde do pai, encontrado desmaiado no jardim enquanto ela estava na escola?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">No entanto, ele está aqui esta noite, o pai, bem vivo e a rir-se, quando a mãe mostra à Laura a prenda que mexe: um gatinho cinzento.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">— Parece filho do gato cinzento. Amanhã vou logo apresentá-lo ao Sérgio.</span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#003300;">Colette Nys-Mazure<br />
<em>Contes d’Espérance</em><br />
Paris, Desclée de Brouwer, 1998<br />
tradução e adaptação</span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/humanizar.wordpress.com/16/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/humanizar.wordpress.com/16/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/humanizar.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/humanizar.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/humanizar.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/humanizar.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/humanizar.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/humanizar.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/humanizar.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/humanizar.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/humanizar.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/humanizar.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/humanizar.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/humanizar.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/humanizar.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/humanizar.wordpress.com/16/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=16&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O tesouro de Clara</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 15:08:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lerp</dc:creator>
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		<category><![CDATA[didáctica]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[educadores]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
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		<category><![CDATA[reflexão para adolescentes]]></category>
		<category><![CDATA[valores]]></category>
		<category><![CDATA[obediência]]></category>

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		<description><![CDATA[Obediência A vontade de se evidenciar foi sempre muito forte nos adolescentes, que se divertem com o perigo e com a transgressão. De lamentar que não se lembrem de que, para muitos, isso levou à doença e à morte. A atitude de desobediência face às orientações dos professores costuma ter como resultado a falta de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=15&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:center;"><span style="color:#702846;">Obediência</span></h3>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#702846;">A vontade de se evidenciar foi sempre muito forte nos adolescentes, que se divertem com o perigo e com a transgressão. De lamentar que não se lembrem de que, para muitos, isso levou à doença e à morte. A atitude de desobediência face às orientações dos professores costuma ter como resultado a falta de aproveitamento e consequente ignorância. O que é igual a um futuro sem perspectivas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#003300;">O tesouro de Clara</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Clara vive no Brasil.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Não possui quase nada. Tem pele de âmbar e cabelos pretos. Veste uma t-shirt grande e, nos pés, traz sandálias de borracha, faça chuva ou sol.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Clara tem doze anos. Trabalha num orfanato. A sua função é limpar a cozinha e, de vez em quando, pode fazer de mãe dos mais pequeninos. E gosta muito disso.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">À quinta-feira, é o dia de descanso de Clara. É então que sai…</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">A cinquenta metros, perto de um banco que está fechado, estão todos juntos à espera dela. Olham uns para os outros, sorriem, regalam- se de antemão.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">São os seus amigos: Lúcia, Ângelo e Ana. Não têm casa e dormem onde calha, nas ruas do Rio.<br />
Lúcia tem oito anos. Os seus cabelos são como ninhos de andorinha. Está sempre a rir e a mexer as mãos e os pés.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Ângelo é pequeno mas muito forte para os seus onze anos. Um dia, conseguiu mesmo levantar uma bicicleta. Está sempre descalço. Caminha sem dificuldade sobre as pedras. Canta as canções escritas por aqueles que viajaram e viram muitos países. Canta muito bem, o Ângelo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Ana é a mais bem-comportada. Não fala muito. Tem doze anos, tal como Clara, que conheceu há muitos anos naquele sítio, diante do banco.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Por vezes, Lúcia, Ângelo e Ana vão trabalhar na produção do algodão. Outras vezes, varrem as ruas. Ou então, os pescadores chamam-nos à praia para puxarem as redes. Depois, encontram-se, sonham em conjunto, com o nariz no ar, a olhar para as nuvens e a contar os dias até quinta-feira.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Ângelo, Lúcia e Ana têm muitos amigos na rua. Alguns respiram uma cola contida em garrafas de plástico, o que os faz sorrir sem razão nenhuma.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Quando Clara encontra os amigos, vão todos a correr para a praia. Atiram areia à cara uns dos outros. Cantam a cantiga <em>Pescadores dos Três Mares</em> e comem o pão que os turistas lhes dão. Lúcia, Ângelo e Ana não querem daquela cola que faz esquecer os problemas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Eles têm Clara. Clara é a mercadora de sonhos. Não é que os venda realmente; em vez disso, dá-os de prenda.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Clara sonha muito alto com lugares maravilhosos. Praias compridas e douradas, barcos, papagaios de papel e papagaios de verdade.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Montanhas encantadas cobertas de gelo e criaturas estranhas, onde sopra um vento mágico, do norte. Um vento que te adormece e te acorda cem anos mais tarde.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Cidades futuras cheias de luz. De carros que voam e de parques de estacionamento floridos. E de um fogo de artifício feito de pequenos comboios brilhantes, de pizzarias e de arranha-céus espelhados.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">E Clara fala-lhes de um Rio sem adultos, onde só há crianças gentis e alegres, que têm os dentes todos. Que saltam sobre os carros e invadem as lojas de bombons.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Ela oferece-lhes vales inteiros de árvores carregadas de frutos, com quatro sóis amarelos no meio do céu e com camponeses ricos, vestidos de comerciantes.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">E Clara transforma os monumentos antigos da cidade em palácios das <em>Mil e Uma Noites</em>, e os gatos que passam em tigres da Malásia.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Clara conta os seus sonhos durante horas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Ela estudou quatro anos na escola e lê todos os livros que encontra.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Agora, é tarde. Clara levanta-se, sacode a areia das mãos e volta para o orfanato. Os amigos escutaram-na, boquiabertos. Riram e choraram. E os olhos deles arregalar-se-ão de novo na próxima quinta-feira.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Para eles, não há cola.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">Eles têm Clara.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003300;">E muitos sonhos bons para viverem ainda…</span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#003300;">Béatrice Alemagna<br />
<em>Le trésor de Clara</em><br />
Paris, Autrement Jeunesse, 2000<br />
tradução e adaptação</span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/humanizar.wordpress.com/15/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/humanizar.wordpress.com/15/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/humanizar.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/humanizar.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/humanizar.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/humanizar.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/humanizar.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/humanizar.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/humanizar.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/humanizar.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/humanizar.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/humanizar.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/humanizar.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/humanizar.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/humanizar.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/humanizar.wordpress.com/15/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=humanizar.wordpress.com&amp;blog=2338463&amp;post=15&amp;subd=humanizar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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