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Ser mãe aos quinze anos

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 A vontade de assumir a responsabilidade pela nossa vida
é a fonte de onde brota a autoestima.
Joan Didion

Fiquei grávida no fim do nono ano. Foi um choque total. Sabia que teria de enfrentar muitas dificuldades: dar a notícia aos meus pais, decidir se iria adiante com a gravidez, e descobrir que maneira eu e o Ronnie, o pai da criança, tomaríamos conta dela.

Como, apesar da inconsciência do nosso comportamento, tinha consciência de que ia precisar de muita ajuda, falei primeiro com a minha mãe. Assim que lhe contei, percebi o quanto a desapontara e o quanto ela se debatia para aceitar a situação e falar dela ao meu pai.

Pouco tempo depois, toda a família estava a par da situação. Após alguns longos debates sobre se eu devia ter ou não o bebé, acabei por lhes dizer que queria assumir a minha quota parte de responsabilidade na gravidez, embora não soubesse muito bem como iria equilibrar os estudos e a criança. Cheguei a pensar desistir do 10º ano, porque não me via a ser mãe adolescente e estudante a tempo inteiro. Contudo, após partilhar estes receios com a minha família mais chegada e alguns amigos, todos me ofereceram o seu apoio e não me deixaram abandonar os estudos.

Antes do Jayleen nascer, o Ronnie e eu inscrevemo-lo numa creche que ele frequentaria a partir dos seis meses. Embora esta decisão nos tenha aliviado bastante, restava ainda a questão do transporte, pois os horários de entrada e saída da creche coincidiam com o meu horário escolar. Estava prestes a desistir da escola quando o pai do Ronnie se voluntariou para levar o neto de manhã e a minha mãe se ofereceu para o ir buscar à tarde.

Apesar de o Jayleen passar o fim de semana com o pai, pois o Ronnie continuava a viver com os pais dele e eu com os meus, eu não dispunha de muito tempo para fazer os trabalhos de casa ou sair com os meus amigos. Aos poucos, contudo, dei-me conta de que o mais importante era ter tempo para mim, tempo que me ajudasse a recuperar as energias de uma semana esgotante, em vez de desperdiçá-lo em noitadas.

Claro que tive pena de ter de desistir de alguns clubes escolares de que era membro. No entanto, os meus professores fizeram tudo o que puderam para me manter a par das atividades mais interessantes, mesmo que tivessem de ficar comigo depois das aulas. Apesar de não puder sempre confraternizar com os outros alunos, a compaixão e flexibilidade dos meus professores e colegas revelaram-se um apoio extraordinário.

Neste momento, estou a terminar o secundário e sinto-me contente por não ter desistido de estudar, tanto por mim como pelo meu filho. Cheguei a colocar-me a questão de ir ou não para a faculdade pois não sabia se teria alguém responsável para cuidar do meu filho enquanto estivesse nas aulas. Mas, graças ao apoio dos avós e do pai do Jayleen, não preciso de me preocupar com o bem-estar do meu filho enquanto estiver a estudar, pois todos concordaram que tomariam conta dele.

Embora o meu sonho fosse frequentar uma universidade num outro estado, tomei a decisão de me inscrever no curso de engenharia de uma excelente escola politécnica perto de casa para poder estar com o meu filho. Assim poderei frequentar as aulas de manhã, ter tempo para estudar, e estar com o Jayleen o máximo de tempo possível. Quando terminar a licenciatura de quatro anos em engenharia informática, poderei sustentar-me e ao meu filho, embora o Ronnie me tenha dito que continuará a assumir as suas responsabilidades de pai.

Ser mãe adolescente foi uma das experiências mais exigentes da minha vida até hoje. É como se uma criança em fase de crescimento estivesse a educar outra criança. É uma tarefa muito cansativa e difícil. Temos de ser fortes, pacientes e dedicados, porque o nosso filho depende de nós. Contudo, ser mãe nem sempre é stressante e também pode ser muito compensador. Quando o Jayleen começou a falar a dar os primeiros passos, senti uma alegria e uma felicidade inexplicáveis porque percebei que eu tinha algo a ver com o seu sucesso. É gratificante saber que ele vai crescer consciente do quanto o ajudei e da minha presença constante a seu lado.

É óbvio que, se pudesse voltar atrás, teria feito escolhas diferentes. Teria sobreposto a realização de uma vida ao prazer de um momento. Ser mãe adolescente implica não realizar sonhos que poderíamos ter concretizado se fôssemos mães mais tarde. Estou também ciente de que o facto de não ter o pai e a mãe a viverem juntos é fonte de tristeza para um filho.

Contudo, ser uma mãe muito jovem encorajou-me a ser uma pessoa muito melhor. Aprendi a ultrapassar o egoísmo, a ser mais disponível e a tornar-me uma pessoa mais forte e positiva.

Tracie Weaver
(Tradução e adaptação)

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